sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Crônica de Martha Medeiros


Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: 'olha, não dá mais'. Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo? Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: mas agora eu to comendo um lanche com amigos'. Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim?

Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia. Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito! Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu. Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos, filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim. Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.

Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris. Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar. Resultado disso tudo: silêncio absoluto..

O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.

Até que algo sensacional aconteceu...

Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher DEMAIS para ele. Ele quem mesmo???

Martha Medeiros.

*****

"NASCEMOS E MORREMOS SÓS... POR ISSO A NOSSA VIDA ESTÁ EM

NOSSAS MÃOS... É U MA BAITA SACANAGEM DEIXAR PRO OUTRO A

RESPONSABILIDADE DE NOS FAZER FELIZ, POIS SOMOS TOTALMENTE

RESPONSÁVEIS PELA VIDA QUE OPTAMOS TER!!!"

*****

"Nunca se deve engatinhar quando se tem o impulso de voar"

quinta-feira, 26 de agosto de 2010


Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre...


"A única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.
Quem sou?
Bem, isso já é demais...."

terça-feira, 13 de julho de 2010

Leda e o Cisne





Leda era rainha de Esparta, esposa de Tíndaro. Seu nome parece ser um empréstimo do lício lada, "mulher", "esposa". Foi mãe adotiva de Helena de Tróia segundo uma versão mais antiga, ou mãe biológica, segundo a versão mais recente e conhecida.
Na primeira, Zeus, transformado em cisne, violou a deusa Nêmesis e de seu ovo nasceram os igualmente imortais Helena e Polideuces (Pólux, para os romanos), que foram adotados por Leda e Tíndaro e criados com seus filhos humanos.Na segunda, Zeus tomou a forma de cisne para seduzir a própria Leda, quando esta já estava grávida de Tíndaro (ou ela teria relações com Tíndaro na noite do mesmo dia); após essa união, Leda pariu dois ovos: de um deles nasceram os mortais Castor e Clitemnestra, filhos de Tíndaro; do outro, Helena e Polideuces, imortais filhos de Zeus.
Sugeriu-se que a forma original do mito é inspirada no eclipse solar, no qual a coroa solar freqüentemente sugere a forma de um grande pássaro, que parece copular com a Lua (Nêmesis ou Leda).

Origens de Leda

Os reis da Etólia, Téstio e Eurítemis, eram pais de Altéia, mãe de Meléagro, Hipermnestra e Leda. Outras tradições dão Cilícia e Melanipe como irmãs de Leda.
Outra versão diz que o herói Glauco, filho de Sísifo, tendo passado pela Lacedemônia em busca de seus cavalos, sumidos ou roubados, uniu-se a Pantidiia. Esta, em seguida, se casara com Téstio, que seria o pai de Leda. Tal versão parece construída à base do nascimento de Odisseu, considerado filho de Sísifo.
Tíndaro, expulso da Lacônia por Hipocoonte e seus filhos, refugiu-se na corte de Téstio, que lhe deu a filha Leda em casamento. Quando Héracles repôs Tíndaro no trono de Esparta, a esposa o seguiu, mas, segundo dizem, a contragosto.

Zeus e Nêmesis

A versão mais antiga do mito afirma que Helena era filha não de Leda, mas da deusa Nêmesis. Para fugir à tenaz perseguição de Zeus, ela percorreu o mundo iteiro, tomando todas as formas possíveis, até que, cansada, se transformou em gansa. O deus se metamorfoseou em cisne e a possuiu.
Em conseqüência dessa conjunção, Nêmesis pôs um ovo, que encontrado por um pastor, foi entregue a Leda. A esposa de Tíndaro o guardou num cesto e, no tempo devido, nasceram Helena e Polideces, que foram criados como filhos dos reis de Esparta.
No templo das Leucípides, em Esparta, mostravam-se as cascas de um ovo gigante do qual teriam nascido Polideuces e Helena. Esta versão mais antiga é também mais coerente, pois estes dois personagens foram tidos como imortais, enquanto em todos os outros mitos os filhos de Zeus (ou de qualquer outro deus grego) com uma mortal eram mortais, ainda que heróicos.

Zeus e Leda
A partir, sobretudo, de Eurípides, a perseguida por Zeus, sob a forma de cisne, foi a própria Leda, que teria posto dois ovos dos quais nasceram Castor e Clitemnestra, mortais; e Polideuces e Helena, imortalizados pelo senhor do Olimpo.
Leda, conforme a tradição mais comum, foi mãe de Timandra, que se casou com Équemo; de Clitemnestra, raptada por Agamêmnon; de Helena, esposa de Menelau, às quais os trágicos acrescentam Febe; e dos Dióscuros, Castor e Polideuces. Nem todos, porém, tiveram por pai a Téstio, mas a Zeus que, sob a forma de um cisne, se uniu à rainha espartana e gerou Polideuces e Helena.

Leda na arte

O tema de "Leda e o Cisne" foi muito popular na arte renascentista italiana de 1499 a cerca de 1530: paradoxalmente, era artisticamente mais aceitável representar uma mulher em ato sexual com um cisne do que com um homem. Artistas de primeira linha podiam criar obras mais explícitas com esse tema do que poderiam ousar com um casal humano. Entretanto, a tolerância em relação a essas obras caiu muito no período mais moralista da Contra-Reforma: muitas das melhores foram destruídas, inclusive as de Leonardo da Vinci (1508) e Michelangelo (1529), conhecidas apenas por meio de cópias.
A primeira xilogravura, publicada em 1499 na Hypnerotomachia Poliphili, livro de gravuras editado em Veneza, mostra Leda e o cisne copulando alegremente no alto de um carro triunfal, empurrado por uma multidão. Outras gravuras dos anos seguintes retomam a cena em diferentes ambientes, tais como as de Giulio Campagnola (que mostra Leda em uma atitude mais ambígua) e Giovanni Battista Palumba (1503 e 1512).
A última grande pintura renascentista sobre o tema foi a de Correggio (1530), que foi esfaqueada quando estava na coleção de Filipe II, duque de Orléans, quando este era regente da França, durante a minoridade do rei Luís XV (enre 1643 e 1654). Foi o próprio rei que a esfaqueou, durante uma de suas crises de consciência. As pinturas de Leonardo e Michelangelo também desapareceram quanto faziam parte da coleção da família real francesa, provavelmente destruídas por sucessores mais moralistas, ou por suas viúvas.
O tema tornou-se raro nos séculos seguintes, exceto por duas obras de François Boucher, cerca de 1740. Foi retomado no final do século XIX e século XX, desta vez interpretado nas chaves do simbolismo, expressionismo e surrealismo.

Coldplay-- "Clocks"

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Lucas Querido...


Quando você nasceu eu renasci.
Quando você sorriu eu chorei.
Quando você precisou eu estava ali.
Quando você adoeceu eu rezei.
Eu te alimentei,
Eu te cuidei,
Eu te protegi,
Eu te amei...e te amo...em todos os momentos
Filho não te peço nada em troca, pois seu sorriso já é meu paraiso.
Te amo!!!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O pequeno príncipe e a raposa


E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos d uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
...Mas a raposa voltou a sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos...
... Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.